O futuro da distribuição aérea tem vindo a ser descrito, há anos, através de termos como digitalização, personalização, NDC, automatização, novos modelos de venda e transformação de processos. Muitas destas inovações foram inicialmente vistas como algo destinado a mudar o setor a médio ou longo prazo.
O setor está a entrar numa nova fase da sua transformação: a inovação vai, progressivamente, deixando de ser apenas uma perspetiva futura para se tornar parte integrante dos processos e da atividade quotidiana.
Num artigo publicado a 28 de agosto de 2026, intitulado «Da Visão à Implementação: O Próximo Capítulo do Retalho Aéreo Moderno», Yanik Hoyles, Diretor de Distribuição da IATA, resume com especial clareza a situação atual do setor:
«Há alguns anos, grande parte do debate no nosso setor em torno do «Modern Airline Retailing» centrava-se na visão.»
Logo a seguir, surge o momento decisivo: «Hoje em dia, o debate centra-se cada vez mais na implementação.»
A distância entre imaginar o futuro e começar a construí-lo está, portanto, a diminuir.
Segundo a IATA, as companhias aéreas, os agentes de viagens, os fornecedores de tecnologia e outros intervenientes da cadeia de valor estão a trabalhar na construção de um ecossistema de distribuição mais interligado e mais orientado para o cliente. O Offers & Orders, o NDC, novos sistemas de pagamento, a identidade digital e a inteligência artificial fazem parte de uma transformação que está a ser progressivamente integrada nos processos reais do transporte aéreo.
Esta evolução afeta diretamente também as agências de viagens, pois altera o contexto em que, diariamente, têm de procurar, comparar, reservar, emitir e gerir um bilhete de avião.
Inovar significa transformar a complexidade em possibilidades
A inovação no setor da venda de bilhetes aéreos não consiste simplesmente em adicionar novas tecnologias às já existentes. A mudança torna-se realmente útil quando permite trabalhar melhor num mercado em que as possibilidades aumentam a par da complexidade.
Hoje em dia, uma agência pode ter de gerir simultaneamente o seu próprio GDS, conteúdos NDC provenientes de agregadores, ligações diretas com transportadoras, tarifas públicas e condições negociadas através de diferentes acordos comerciais.
Ter acesso a mais conteúdos representa uma grande oportunidade, mas também exige uma maior capacidade de controlo. Se cada nova fonte implica um novo ambiente a consultar, procedimentos diferentes e informações a recompor manualmente, o aumento das possibilidades comerciais corre o risco de se traduzir num aumento do trabalho necessário para as utilizar.
A evolução tecnológica só faz sentido quando consegue traduzir esta riqueza de conteúdos num processo operacional mais compreensível, rápido e controlável.
A perspectiva com que o Skytool foi desenvolvido parte precisamente dessa necessidade.
Uma nova distribuição exige uma nova forma de trabalhar
A IATA descreve o «Modern Airline Retailing» como um caminho rumo a um modelo capaz de oferecer maior personalização, eficiência e continuidade da experiência através dos diversos canais. O NDC, o ONE Order e a evolução progressiva para um mundo baseado em «Offers & Orders» constituem alguns dos elementos que estão a acompanhar esta transformação.
Para a agência, no entanto, a mudança ganha significado quando essas possibilidades se tornam aplicáveis no dia-a-dia.
Um operador não deveria ser obrigado a tornar-se um especialista na arquitetura tecnológica subjacente a cada fonte tarifária. Precisa de compreender qual a solução a propor ao cliente, quais as condições disponíveis, qual a oportunidade comercial mais interessante e como gerir o processo ao longo de todo o seu ciclo de vida.
A tecnologia deve encarregar-se da complexidade necessária para permitir que as pessoas se concentrem na tomada de decisão.
A Skytool trabalha nessa direção, criando um ambiente onde diferentes fontes de conteúdo podem convergir dentro de um processo operacional comum e onde a pesquisa de tarifas se encaixa em uma visão mais ampla dos negócios da agência.
Porque a transformação do setor de bilhética não diz respeito apenas à forma como se encontra um voo. Diz respeito à forma como essa oferta é escolhida, vendida, valorizada e, posteriormente, gerida.
Desde o bilhete avulso até à estratégia da agência
Uma das consequências mais interessantes desta evolução consiste em poder encarar a venda de bilhetes como parte de uma estratégia comercial mais ampla.
Quando a informação está distribuída por diferentes sistemas, até compreender o que se passa realmente na própria empresa se torna mais difícil. A produção, os transportadores utilizados, os acordos comerciais, as margens de lucro, o desempenho das subagências e a evolução das emissões correm o risco de se transformar em fragmentos separados do mesmo quadro.
Ao reunir estes elementos sob uma orientação comum, é possível encarar o bilhete também como um dado comercial.
Uma emissão pode contribuir para a margem de cada processo individual, mas pode, ao mesmo tempo, contribuir para o cumprimento de uma meta com uma companhia aérea, para a produção global de uma rede e fornecer indicações úteis sobre as escolhas futuras.
Esta mudança de perspetiva permite passar da gestão de operações individuais para a gestão do negócio que essas operações, no seu conjunto, representam.
A inovação torna-se ainda mais importante quando surge uma rede
Essa mesma lógica assume uma importância ainda maior para uma agência IATA que decida criar a sua própria rede de subagências.
Uma estrutura composta por vários operadores pode reunir tráfego, clientes e capacidade de vendas que, individualmente, teriam um peso comercial mais limitado. As emissões geradas pela rede podem contribuir para a produção global da agência IATA e, na existência de acordos específicos com as transportadoras, favorecer o cumprimento de metas às quais podem estar associados incentivos, condições negociadas ou oportunidades comerciais.
O crescimento da rede traz, no entanto, consigo uma necessidade fundamental: conseguir geri-la sem aumentar a complexidade.
A Skytool permite que a agência IATA mantenha o controle centralizado, enquanto as subagências conservam suas próprias capacidades de marketing. A agência matriz pode definir sua própria margem de lucro, as afiliadas podem aplicar suas próprias taxas e todos os níveis da rede podem participar da criação de valor.
O digital torna-se, assim, a ferramenta que permite que um modelo de negócio seja escalável.
A possibilidade de crescer já não depende exclusivamente da abertura de novos pontos de venda próprios ou do aumento do pessoal interno. Pode também passar pela capacidade de estabelecer ligações com outros operadores, distribuir oportunidades e transformar uma série de produções individuais num volume coordenado.
Inovação significa também ver melhor
A transformação digital é frequentemente associada à rapidez, mas, no setor da venda de bilhetes de avião, uma das vantagens mais significativas é a visibilidade.
Conseguir ver com maior clareza o que se passa permite tomar melhores decisões.
Qual é a fonte que está a gerar a oferta mais interessante? Quais são os canais que estão a crescer? Como está a decorrer a produção em relação a um determinado objetivo? Quanto tráfego está uma subagência a gerar? Como se distribuem as margens e os volumes dentro da rede?
Quando estas informações se tornam mais facilmente acessíveis, os dados deixam de ser um simples registo do passado e passam a servir de base para as decisões futuras.
Para uma agência, isso significa poder intervir mais cedo, orientar melhor a sua estratégia e transformar o controlo operacional em capacidade comercial.
Da tecnologia ao processo
No seu artigo, a IATA destaca outro aspeto particularmente importante: a tecnologia constitui um fator fundamental para a transformação, mas a sua implementação requer também pessoas, processos e colaboração ao longo de toda a cadeia de valor.
É um princípio que também descreve bem a filosofia por trás da inovação da Skytool.
Um software gera valor quando consegue integrar-se no trabalho quotidiano da agência, simplificando procedimentos, interligando informações e permitindo que as pessoas utilizem tecnologias cada vez mais avançadas sem serem afetadas pela sua complexidade.
O objetivo não consiste, portanto, em acrescentar mais um sistema aos que o operador já tem de conhecer, mas sim em criar uma central de coordenação capaz de integrar conteúdos, processos, rede comercial e informações.
A tecnologia torna-se infraestrutura empresarial.
O futuro da bilheteira já está em funcionamento
Nas conclusões da sua intervenção, a IATA utiliza uma frase que resume bem a situação atual do setor: «O retalho moderno nas companhias aéreas já não é apenas uma visão. Está a tornar-se realidade.»
Para as agências de viagens, esta transformação representa, acima de tudo, um convite a olhar para o futuro.
É provável que o mercado continue a enriquecer em termos de conteúdos, modelos de distribuição e oportunidades comerciais. A capacidade competitiva dependerá cada vez mais da forma como estas oportunidades forem integradas nos processos, geridas e transformadas em valor para a agência e para o cliente.
A Skytool interpreta essa evolução trazendo uma visão mais simples, conectada e escalável de emissão de bilhetes para o dia a dia da agência IATA, onde diferentes fontes podem coexistir, uma rede pode crescer mantendo uma direção comum e as informações podem se tornar ferramentas de tomada de decisão.
O ano de 2026 marca, portanto, uma transição importante também na cultura da inovação.
A visão indica o rumo. A implementação transforma esse rumo em negócio.
E é na capacidade de tornar a inovação concretamente utilizável que se decidirá uma parte importante do futuro da venda de bilhetes aéreos.
O futuro da emissão de bilhetes deixou de ser apenas uma imaginação. Ele já está em uso no Skytool.
Fontes:
«O retalho moderno nas companhias aéreas já não é apenas uma visão. Está a tornar-se realidade.»
— Yanik Hoyles, Diretor de Distribuição da IATA, 28 de agosto de 2026.
Por Guido Deiana e Daniele Di Stefano













